Quem manda na IA? (Uma pergunta que fervilha na cabeça de muitos. E na sua?)
Amazon. Meta. Big Techs.
O que elas têm em comum (além de bilhões investidos em GenAI)? Estão perdendo seus principais executivos de Inteligência Artificial.
Rohit Prasad, o cérebro da Alexa, pulou fora da Amazon. A Meta também viu seus líderes de IA saindo de cena. E não é coincidência.
A IA está expondo algo que ninguém gosta de admitir: o problema nunca foi tecnologia. Sempre foi cultura.
E aqui vai o detalhe que poucos querem encarar: quanto mais estratégica a IA se torna, mais ela exige uma cultura preparada para lidar com conflito, velocidade e desconforto.
A liderança que terceiriza o desconforto
Colocar IA no slide de planejamento estratégico é fácil. Falar em “transformação digital” rende aplausos em evento. Mas bancar o impacto real da IA no dia a dia da operação é outra história.
Quando a IA entra em cena de verdade, ela escancara o que estava escondido: silos operacionais que ninguém quer mexer, decisões emperradas por vaidade, processos que só funcionam na teoria, e lideranças que preferem delegar a ambiguidade em vez de enfrentá-la.
Porque a IA exige velocidade. E velocidade exige abrir mão de controle. A maioria das lideranças ainda não entendeu esse jogo.
Falar em IA é bonito. Sustentar IA, nem tanto. É aí que vemos quem está liderando de verdade e quem está só usando o discurso pra parecer moderno.
O script oculto da demissão de líderes de IA
Quando um executivo sênior de IA pede para sair, a imprensa escreve que ele “foi buscar novos desafios”. Mas quem vive bastidor sabe: o que está por trás é, quase sempre, uma frustração silenciosa.
Esses líderes foram contratados para “transformar”. Mas, ao tentar mudar, bateram em paredes invisíveis. Esbarraram em culturas que se dizem data-driven, mas não confiam nos próprios dados. Em estruturas que falam em inovação, mas não mexem um centímetro no que incomoda quem decide.
Esses profissionais não estão saindo por causa da IA. Estão saindo por causa da política. Porque perceberam que não adianta pilotar foguete com um comitê puxando o freio de mão.
O que separa quem lidera de quem terceiriza
Tem uma diferença brutal entre empresas que estão usando IA para resolver problemas reais e aquelas que estão usando IA para parecerem avançadas.
Nas primeiras, a liderança está presente, clara, disponível para os dilemas difíceis. Entende que IA não resolve cultura, só expõe. E está disposta a usar essa exposição como alavanca de mudança.
Nas segundas, o discurso é sofisticado, mas a prática é evasiva. A IA é delegada ao fornecedor, a área de dados é marginalizada, o impacto real é maquiado com dashboards.
Liderar com IA não é sobre saber programar modelos. É sobre ter coragem para encarar o que eles revelam: zonas cinzentas de poder, egos que distorcem decisões, uma cultura que resiste à transparência.
Quem lidera, encara. Quem não lidera, terceiriza. E depois cobra resultado de quem nunca teve o volante.
Um termômetro simples: quem está pedindo pra sair?
Se você quer saber se a sua estratégia de IA está funcionando, não olhe só para os indicadores de performance. Olhe para quem está indo embora.
Se os talentos que tinham visão e capacidade de execução estão saindo — e os cargos que vivem de vaidade continuam intactos —, talvez a IA esteja fazendo seu papel. Revelando, com brutalidade, quem manda de verdade.
A IA chegou. Mas, em muitas empresas, a liderança ainda está em beta.
E agora?
Se você chegou até aqui, é porque sente que tem algo fora do lugar. Talvez esteja liderando uma transformação real. Talvez esteja tentando — e batendo em paredes invisíveis.
Compartilhe este texto com quem ainda acha que IA se resolve com fornecedor. E se quiser continuar a conversa, me conta: o que a IA está revelando aí dentro?
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